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Líder do governo disse a Lula que presidente não deveria ter comparado guerra com holocausto

Jaques Wagner é judeu, amigo pessoal e um dos principais conselheiros políticos do presidente da República

Por Gilson Neto em 20/02/2024 às 23:56:14

Waldemir Barreto/Agência Senado

O líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA), relatou, nesta terça-feira (20), ter dito ao presidente Luiz In√°cio Lula da Silva (PT) que o mandat√°rio não deveria ter comparado a guerra de Israel contra o Hamas com o holocausto praticado pelos nazistas.

Wagner é judeu, amigo pessoal e um dos principais conselheiros políticos do presidente Lula.

O presidente Lula afirmou que "o que est√° acontecendo na Faixa de Gaza não é uma guerra, mas um genocídio", e fez refer√™ncia às ações do ditador nazista Adolf Hitler contra os judeus.

"O que est√° acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Ali√°s, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus", disse, durante a entrevista coletiva que encerrou sua viagem à Etiópia.

Se instalou então uma crise diplom√°tica entre os governos brasileiro e israelense. A declaração também causou reações fortes da oposição, que pretende apresentar inclusive um pedido de impeachment na Câmara dos Deputados.

O líder do governo esteve na última segunda-feira (19) com Lula no Pal√°cio da Alvorada, onde discutiu a crise e outros assuntos. Na sessão do Senado desta terça, ele relatou o que disse ao mandat√°rio.

"Eu estou à vontade, porque eu estou neste partido h√° 45 anos, sou amigo do presidente Lula h√° 45 anos e tive a naturalidade de ontem visit√°-lo e dizer: "Não tiro uma palavra do que vossa excel√™ncia disse, a não ser o final", porque, na minha opinião, não se traz à baila o episódio do Holocausto para nenhuma comparação, porque fere sentimentos, inclusive meus, de familiares perdidos naquele episódio, que era uma m√°quina da morte, com câmaras de g√°s."

"Mas é preciso também que os colegas saibam que, dentro do Estado de Israel, a posição do primeiro-ministro Netanyahu não é unânime. Muito pelo contr√°rio. Ele, na verdade, para conseguir montar o seu governo — e eu não vou me imiscuir nas questões internas de Israel –, precisou chamar os ortodoxos religiosos, que é a extrema, para montar o seu governo", prosseguiu.

"E o que est√° fazendo? Uma limpeza étnica? Não sei, porque o norte de Gaza j√° est√° todo no asfalto. Os prédios, edifícios, j√° foram todos derrubados, aterrados, com asfalto passado por cima. Então, presidente [Rodrigo Pacheco], eu quero lhe dizer que comungo com vossa excel√™ncia e falo isso aqui por j√° ter comunicado a quem de direito, porque eu acho que a comparação não é pertinente – a comparação não é pertinente -, mas a condenação à morte de civis, crianças, homens e mulheres na Faixa de Gaza é um absurdo sob a desculpa de caçar o Hamas", finalizou.

Jaques ainda falou sobre defender a convivência entre dois Estados: o de Israel e o da Palestina.

Ao longo de sua fala, buscou apoiar Lula quanto à condenação de ações contra civis palestinos.

"Antes de estar aqui nesta tribuna, antes de me dirigir a qualquer órgão de imprensa, fui ao presidente da República e disse a ele que eu não tiro uma linha do que ele disse, porque como judeu me sinto ofendido."

"O povo judeu não pode comungar com o assassinato de civis sob qualquer desculpa que seja, até por termos sofrido — não só nós, porque foram Testemunhas de Jeov√°, foram ciganos, foram homossexuais, foram deficientes que morreram na m√°quina de morte. Então, eu só queria registrar que a motivação presidente Lula, como vossa excel√™ncia fez questão de registrar — e por isso eu comungo –, é a busca do cessar-fogo."

O líder foi aplaudido por parte dos senadores presentes no plen√°rio.

Nesta terça, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), defendeu que o presidente Lula se retrate. Segundo Pacheco, a fala foi "equivocada e "inapropriada" e "precisa de retratação".

Fonte: CNN Brasil

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